A Subutilização da Psiquiatria e o Perigo dos Falsos Especialistas: Um Alerta Necessário
Por que tantos jovens recebem diagnósticos errados e como se proteger contra isso.
1. Introdução: A importância da Psiquiatria e Psicologia e por que elas são subutilizadas
A Psiquiatria e a Psicologia são pilares fundamentais da saúde integral, mas, infelizmente, são subutilizadas na sociedade brasileira. Muitos indivíduos evitam buscar ajuda por preconceito, falta de acesso a profissionais qualificados ou, pior, por desconhecimento sobre a realidade clínica.
A medicina mental não é um luxo ou uma escolha estética. Ela é essencial para a saúde do cérebro, do comportamento e da qualidade de vida. No entanto, muitos jovens e adultos são rotulados de “preguiçosos”, “desinteressados” ou “malucos” quando, na verdade, sofrem de patologias reais que exigem diagnóstico correto e tratamento adequado.
2. O Alerta: Jovens e adultos que “não vencem” na vida por falta de diagnóstico correto
É triste constatar que muitos jovens não conseguem “vencer” na vida não por falta de esforço, mas por falta de diagnóstico e tratamento corretos. A psicose, a depressão, a ansiedade, o TDAH e a deficiência intelectual são condições médicas que, quando identificadas cedo, podem ser tratadas com eficácia. No entanto, muitos pacientes são diagnosticados incorretamente, recebem medicamentos inapropriados e, pior, são estigmatizados por toda a vida.
3. Caso Clínico Detalhado
O jovem de 19 anos diagnosticado erroneamente com Esquizofrenia e Dupla Personalidade
Um caso recente ilustra a gravidade desse problema. Um jovem de 19 anos, com histórico de baixo rendimento escolar, isolamento social e dificuldades de comunicação, foi levado a um neurologista, que solicitou um EEG (eletroencefalograma) e diagnosticou “psicose”. Em seguida, foi encaminhado a um “psiquiatra”, que, sem histórico clínico congruente, diagnosticou “esquizofrenia” e “dupla personalidade”, receitando Escitalopram e Quetiapina 100mg.
A falha do Neurologista (EEG desnecessário) e do Pseudo-Psiquiatra
O neurologista, ao solicitar um EEG, demonstrou desconhecimento clínico. O EEG é um exame de rotina para suspeita de epilepsia ou alterações do sono, não para psicose. A ausência de uma anamnese adequada e a pressa em encaminhar para um “psiquiatra” revelaram uma falha grave no processo de investigação.
Já o “psiquiatra”, que não era especialista com RQE (Registro de Qualificação de Especialidade), diagnosticou com base em pressupostos errados e sem uma avaliação psiquiátrica completa. A prescrição de medicamentos antipsicóticos (como a Quetiapina) em dose abaixo da faixa terapêutica, demonstra ainda mais incoerência.
A análise técnica: Por que o tratamento era incoerente com o diagnóstico de psicose
A Quetiapina, embora usada em psicoses, é também indicada para transtorno bipolar e ansiedade. A dose de 100mg é considerada muito baixa para um paciente com diagnóstico de psicose. Além disso, a ausência de sinais clínicos de delírios, alucinações ou desorganização do pensamento tornava o diagnóstico de psicose duvidoso. Então como o médico apontou psicose e receitou o remédio aquém da posologia para esta doença.
4. O Diagnóstico Real: Deficiência Intelectual Leve (F70), Fobia Social (F40.1) e TDAH (F90)
Após uma avaliação completa, o jovem foi diagnosticado com:
- Deficiência Intelectual Leve (F70) – explicando a dificuldade de aprendizado e a lentidão no raciocínio.
- Fobia Social (F40.1) – justificando o isolamento e a dificuldade de interação.
- Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) (F90) – explicando a falta de foco e o baixo rendimento escolar.
Com esse diagnóstico correto, a família foi reorientada. Foi explicado que o jovem não era “maluco”, mas sim alguém com necessidades específicas que poderiam ser atendidas com apoio psicológico, terapia comportamental e, se necessário, medicamentos específicos para TDAH.
5. Como se Proteger
A importância do RQE (Registro de Qualificação de Especialidade)
O RQE é um documento emitido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) que comprova que um médico concluiu com sucesso um programa de residência médica ou especialização. Sem esse registro, o profissional não pode se intitular de “especialista” e, por isso, não deve ser consultado para diagnósticos complexos.
Como consultar o site do CFM
Para verificar se um médico é especialista, acesse o site do CFM: www.cfm.org.br. Lá, você pode buscar pelo nome do profissional e verificar se ele possui RQE em Psiquiatria ou outra especialidade.
A diferença entre ser “Médico” e ser “Especialista”
Ser médico é uma profissão, ser especialista é uma qualificação. Um médico pode atuar como clínico geral em qualquer área da medicina, mas só pode se intitular de especialista se tiver RQE. Portanto, ao buscar ajuda para problemas psiquiátricos, é fundamental garantir que o profissional tenha essa qualificação.
6. Sinais de Alerta (O Charlatão)
A armadilha da “simpatia excessiva” vs. competência técnica
Um dos maiores perigos na medicina mental é o profissional que parece “muito simpático”, mas não tem competência técnica. A simpatia excessiva muitas vezes mascara a falta de experiência e pode levar o paciente a acreditar em diagnósticos errados.
A importância de uma relação médico-paciente séria e cordial
A relação entre médico e paciente deve ser baseada na confiança, na clareza e na competência. Um profissional sério não faz promessas mirabolantes, não pressiona o paciente a seguir um tratamento específico e não se intitula de “especialista” sem comprovação.
7. Conclusão: O valor de confiar em especialistas qualificados ou no clínico geral de confiança
A medicina mental é uma área complexa que exige profissionais qualificados, éticos e comprometidos. Confiar em um médico com RQE ou em um clínico geral de confiança é essencial para garantir um diagnóstico correto e um tratamento eficaz.
Se você ou alguém que você ama está enfrentando dificuldades psicológicas, não desista. Busque ajuda, mas faça isso com profissionais qualificados. A saúde mental é tão importante quanto a saúde física, e merece o mesmo cuidado e atenção.
Veja no vídeo abaixo como identificar um profissional qualificado e evitar diagnósticos errados:
Documento elaborado em 03 de junho de 2026. As informações contidas são de responsabilidade do autor.
