Formação do vínculo Médico-Paciente

Entrevista (Anamnese Médica)

Como Deve ser uma Consulta Médica?

Você já teve dificuldades com uma consulta médica? O médico não te ouviu, ou não te examinou, pediu exames antes de fazer o exame clínico?

Existe uma sequência na investigação médica que deverá ser seguida na maioria das vezes, contudo as propagandas da Indústria da Saúde tentam deturpar isso na tentativa obter maior lucratividade.

Uma consulta em regra se inicia quando você tem um sintoma e quer resolver, você busca por uma consulta, buscando um Pronto Socorro se for algo urgente ou agendando uma consulta em consultório para as situações que se possam esperar.

A Sequência de uma Consulta

1 – A entrevista (Anamnese) – Apesar do exame do médico se iniciar ao chamar o paciente para a sala (se afere a audição, visão e capacidade de marcha), antes teremos a parte MAIS IMPORTANTE da consulta, deixar o paciente falar e fazer as perguntas certas, nos dá cerca de 80% dos diagnósticos.

Anamnese

Nesta entrevista, ao mesmo tempo que verificamos o cadastro, temos que saber quem é a pessoa que está ali. Saber sua profissão, situação conjugal, com que mora e qual suas expectativas futuras.

A seguir temos que focar no MOTIVO DA CONSULTA, sua queixa principal e a partir daí temos que dirigir a entrevista para pesquisar os sintomas associados, os quais o paciente pode não ter relatado, mas o médico, conhecendo as enfermidades, precisa investigar para encontrar os critérios diagnóstico das doenças catalogadas.

2 – Exame Clínico – Este se compõe do exame físico e psíquico, evidentemente que os médicos dirigem o exame clínico mais para sua especialidade, por isso o cardiologista sempre verá a pressão arterial e a ausculta do coração, o dermatologista irá despir o paciente para examinar toda a pele, enquanto que, o psiquiatra indagará sobre várias crenças, comportamento e uso de substâncias, mas muita vezes não avaliará a pressão arterial ou irá palpar o abdome.

Exame Clínico

Dessa forma o especialista pode se deter mais em sua área, podendo o ginecologista avaliar os órgãos reprodutivos da mulher, mas evidentemente terá de observar o estado nutricional da mulher e também que ela está lúcida e orientada, também fez um exame psíquico, mais simplificado comparado ao exame que o psiquiatra faria.

Nesse momento é quando o médico vai usar todos seus órgãos dos sentidos, visão, audição, tato, olfato e antigamente até a gustação, quando o médico provava a urina doce para diagnosticar o diabetes.

Resumidamente o médico verifica o estado mental, estado nutricional, marcha, equilíbrio, pressão arterial, pulsos, batimentos cardíacos, ventilação pulmonar, abdome, edema dos membros inferiores, hidratação, aspectos da pele, etc.

Somando a Entrevista e o Exame Clínico teremos cerca de 95% dos diagnósticos feitos.

3 – Exames complementares – Esta é última parte da consulta. São chamados assim porque são COMPLEMENTARES ao exame do médico, o exame corpo a corpo ou simplesmente a entrevista presencial ou online no caso da psiquiatria.

Rever aspectos da consulta anterior

Exames Complementares

Se com a entrevista e exame clínico o médico não conseguiu chegar ao diagnóstico, ou mesmo feito o diagnóstico, mas para segurança do paciente precisa afastar (excluir) alguma enfermidade que possa estar oculta, daí sim, deverá pedir exames, sem esquecer de avaliar os exames que o paciente já tenha feito anteriormente.

Vejam que os exames complementares ajudam compor o diagnóstico em apenas 5 a 10% dos casos, mas a propaganda da Indústria de Equipamentos Médicos conseguiu incutir no imaginário das pessoas que seriam, o exames, a parte mais importantes.

Dessa forma algumas pessoas acreditam que o médico que não pede ou fazem poucos exames não seriam bons médicos, enquanto que, em verdade é justamente o contrário.

O médico que pede muitos exames, em regra, é porque sabe pouco de medicina ou então é sócio dos laboratórios ou centros de imagens ou recebe participação do faturamento das clínicas de exames.

4 – Diagnóstico e Conduta – Estabelecido um diagnóstico ou fortemente suspeitado, médico e paciente irão estabelecer um tratamento factível e passarão a estabelecer um regime de acompanhamento.

Projeto Terapêutico

Este é outro ponto importantíssimo, o médico deverá oferecer as opções eficazes de tratamento e o paciente deverá participar ativamente nessa decisão, escolhendo o que lhe seja possível suportar, quanto aos efeitos colaterais e viabilidade econômica.

É preciso ter cuidado quando o médico lhe dirige onde comprar ou qual marca comprar ou não lhe dá liberdade de buscar outra opinião. Considere que pode existir algum interesse oculto.

Consulta de Urgência x Consulta Eletiva

Vale lembrar que assim como nas diferentes especialidades médicas as consultas tem suas particularidades, as consultas de urgência também dever ser diferentes das consultas eletivas.

Uma consulta eletiva deve ser mais longa e completa (entrevista, exame clínico completo, exames complementares já feitos e para fazer [se necessários], diagnóstico e conduta, mas uma consulta de urgência (no Pronto Socorro ou UPA) dever ser breve e dirigida somente ao motivo principal que levou a pessoa neste serviço.

Evidente que o médico irá observar, indagar e investigar outra alterações que podem atuar sobre aquela situação e tratamentos necessários, ou seja, ao atender uma crise de falta de ar por asma, necessitará indagar se o paciente tem hipertensão ou diabetes, para evitar ao máximo o uso de corticóides, mas se o broncoespasmo for grave com risco de vida, mesmo assim terá de usar.

Nas consultas de urgência o médico deve tomar condutas somente até o ponto de aliviar o sofrimento agudo, afastar o risco de morte ou perda de órgão ou função e deixar todas atividades investigativas que podem esperar, orientações de longo prazo e educação em saúde, para uma futura consulta eletiva que deverá ocorrer fora dos serviços de urgência.

O paciente também deve evitar prolongar a consulta, pois é vital que não exista fila de espera nos serviços de urgência, pois não queremos ficar esperando quando estamos com dor aguda (dor forte de início recente ou agravada) ou com medo de morrer, por isso devemos nos focar somente naquilo que é urgente.

Conclusão 

Verificamos aqui que uma consulta de compõe de 4 momentos principais, começando por entrevista, exame do médico, exames complementares e diagnóstico mais tratamento.

Em regra é dessa forma, contudo poderá ser necessário se inverter essa ordem. A exemplo das urgências, um paciente chegando desacordado necessitará de monitor cardíaco ou ECG (exames complementares) antes da entrevista, pois se estiver tendo uma arritmia necessitará de cardioversão elétrica (choque para tratamento) de imediato.

Eletrocardiograma

Devemos ficar atentos, quando fora da urgência o  médico não conversa ou antes de palpar sua barriga dolorosa ele pede ultrassom ou tomografia, ele está desvirtuando a rotina médica ensinada na Escola de Medicina e teremos que suspeitar de outros interesses nessa conduta ou simplesmente má prática médica.

Você já teve consulta incoerente e incompleta, ficou frustrado, me conte nos comentários, e vamos aprender com isso…